ULTIMO CÁLICE
O tempo vai, outro tempo logo vem
Olhando as horas no vazio sem ninguém.
Continuo de olhos fechados, pois não preciso
Deles para ver nosso passado.

Hoje ainda lembro, porém sem sorrir
Do tempo que enfeitava de flores teus cabelos
E do perfume que daquelas se misturava ao teu.

Tenho é verdade, as lembranças...
Das promessas que teus olhos entregavam Aos meus
Neles há sombras agora, não jorram mais Torrentes
nem de felicidade, nem sequer de desencanto

Pois minha esperança é uma senhora morta
Vestida de farrapos a contar seus espinhos
Eu sou essa velha senhora; e como ela
Carrego no semblante contos de vida e de morte
Histórias de amores, sussurro de amantes

Que se alimentam da vil esperança de se possuírem
Fazer seu o tempo que ninguém mede nem domina
Mas o qual quando tudo se finda é ainda sereno
E mudo... observa
É como se zombasse

Da tola pretensão que nos move a sorver
Desse cálice a última gota
Que é fel, que é veneno; mas os enamorados
Teimam em achar que é AMOR.
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