Lama Negra Teu olhar é como taça transbordante de cizânia Me dispara setas de veneno, flamejantes, rubras de dor Insensato coração é pois com esse falso amor que tu barganhas? Não me ferem todavia, já cri em teu falso amor: folha seca Não há orvalho que inunde a terra que o possa despertar Pisaste o mesmo caminho no qual plantei sementes Amargura, amargura, versos são notas tristes Embelezam mas não trazem nenhum balsamo enfim... Onde parece jardim florido é nada senão canyon desértico De unhas sujas, não poderias mesmo falar em limpidez Todavia tu te revestes d'um manto de pureza e sonhas... Ávida tua boca deseja o que teu olhar de brilho fugaz, perdeu Da amargura que tomou teus dias foge, porém com pouca pressa E de novo te fazes refém da solidão que gruda em ti como fuligem E tinge tua alma de negro furor e sucumbes virada em estatua de sal J. Sollo
Foto de Caique Silva no Pexels TEMPO Bate-se o martelo do tempo e assim finda tudo que não teve início Vejo na surpresa em teu olhar, que não sabias Porque não previste o fim de tão cruel solidão? O amar sem jeito, entre mãos de frio suor que todavia nunca se tocaram realmente Mas a dor apesar da distância inerte, pulsa latente cada dia que se arrasta como se fossem séculos Pede em prantos que eu te liberte a alma Mas é outro que possui a chave do teu coração Se ainda ele pulsasse por esse que geme agora... enraizado em tuas desilusões o que teimas em negar Voltando ao principio de tudo, da dor sem jeito, do pranto Páginas rasgadas do sentimento que nunca existiu Quando não houver mais o ódio pela morte da ilusão Restará na lembrança o bater do martelo E somente o eco do seu triste retinir....
PICADEIRO Vai o triste palhaço fazer sorrir em seu último show Não demonstra a lágrima furtiva que insiste em rolar Sua dor não é menor do que os sorrisos que arranca Mas quem é ele? Só o infeliz menestrel da melodia rouca Ele percebe o triste debater de almas que disfarçam a dor E procuram o engano e tentam disfarçar o estigma da solidão e dizem mil palavras, mas são frases a se juntar sem sentido Pois não vêem as tormentas que despertam nos insensatos corações Todos carregam a dor de tal sufocante amor Da paixão oculta que quer receber sem dar São como vidro partido que reflete loucamente Transpassam de loucura d'alma sedenta que não se farta O escrúpulo que norteia suas vidas é falso, pois não se mostram E o triste palhaço em seu mágico olhar sente o fétido de suas vida...
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