PICADEIRO

                          PICADEIRO

Vai o triste palhaço fazer sorrir em seu último show
Não demonstra a lágrima furtiva que insiste em rolar
Sua dor não é menor do que os sorrisos que arranca
Mas quem é ele? Só o infeliz menestrel da melodia rouca
Ele percebe o triste debater de almas que disfarçam a dor
E procuram o engano e tentam disfarçar o estigma da solidão
e dizem mil palavras, mas são frases a se juntar sem sentido
Pois não vêem as tormentas que despertam nos insensatos corações
Todos carregam a dor de tal sufocante amor
Da paixão oculta que quer receber sem dar
São como vidro partido que reflete loucamente
Transpassam de loucura d'alma sedenta que não se farta
O escrúpulo que norteia suas vidas é falso, pois não se mostram
E o triste palhaço em seu mágico olhar sente o fétido de suas vidas
Por isso em sua tristeza, sente a palavra vazia e sofre de compaixão
Morre com as almas que não se abrem pra dar, mas querem sempre mais
Agora no picadeiro real é chegado o hora de ruírem as máscaras da razão
Afinal é o último show, rasguemos a pele que caiam as escamas do temor
E em teus últimos anos ama sem medo do amanhã, pois ele é breve e fugaz
Mata de vez esse palhaço interior que faz sorrir a todos mas por dentro
Ele mesmo é feito de dor....
J. Sollo
9 comentários

Postagens mais visitadas