LAMA NEGRA

Teu olhar é como taça transbordante de cizânia
Me dispara setas de veneno, flamejantes, rubras de dor

Insensato coração é pois com esse falso amor que tu barganhas?
Não me ferem todavia, já cri em teu falso amor: folha seca
Não há orvalho que inunde a terra que o possa despertar
Pisaste o mesmo caminho no qual plantei sementes

Amargura, amargura, versos são notas tristes
Embelezam mas não trazem nenhum balsamo enfim...
Onde parece jardim florido é nada senão canyon desértico
De unhas sujas, não poderias mesmo falar em limpidez

Todavia tu te revestes d'um manto de pureza e sonhas...
Ávida tua boca deseja o que teu olhar de brilho fugaz, perdeu
Da amargura que tomou teus dias foge, porém com pouca pressa

E de novo te fazes refém da solidão que gruda em ti como fuligem
E tinge tua alma de negro furor e sucumbes virada em estatua de sal
J. Sollo
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