Posso tocar na dor deste oceano Sentindo o fim de um encontro Seus olhos são as nascentes Deste rio de tormentas Derrepente o céu ficou cinza Cortaram as asas do gavião real O céu encerrou o carnaval Entre liras perdi minha voz O tamborim, já não chora acompanhando o pobre surdo... A música silênciou o poeta.
UM POEMA ME ESCORRE ENTRE OS DEDOS Um poema me escorre entre os dedos Sai do meu coração gélido de medo A frase renitente sempre me vem Por entre os sulcos de minha cansada face E a magreza de meu frágil corpo Vejo os nós do tempo indeléveis sobre mim Como chicotadas crúeis a cortar-me a carne Se esvai novamente meu dúbio sentimento Derramado entre vagas e imprecisas linhas Dentre todas a mais sórdida é a solidão Falo daquel a que mesmo e ntre mil me persegue Sigo cantando e a palavra que ainda não conheço cisma em me assombrar É o verso nascituro, que contudo não rebenta de uma vez Serão poemas a me escorrer entre os dedos. J. Sollo leia também AMOR ADOLESCENTE
Todo leitor tem um depósito de memórias que prefere não abrir. Contos Antes das Dez visita esse porão interior — e acende uma luz mínima, suficiente para ver o que nunca morreu. 📌 Desça. Só não mexa muito rápido.
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Posso tocar na dor deste oceano
Sentindo o fim de um encontro
Seus olhos são as nascentes
Deste rio de tormentas
Derrepente o céu ficou cinza
Cortaram as asas do gavião real
O céu encerrou o carnaval
Entre liras perdi minha voz
O tamborim, já não chora acompanhando o pobre surdo...
A música silênciou o poeta.