RETRATOS DE CARBONO



Olhos dos meus olhos, ou quem sabe dos teus
sonhos que foram tão bonitos, já não restam 
mais motivos, se sonhar não é mais preciso



voei num sonho tão alto mas me esqueci de perguntar
Se minhas asas eram firmes, se eu não iria fraquejar


Hoje em minha vida tudo se confunde: passado,
presente e um sopro de futuro que nem sei se resistirá


perdi tudo o que tive e o que restou não ouso possuir
De todas as ilusões que me fugiram
Foi um junto um pouco de mim

Meus olhos se enchem de lágrimas mas chorar por qual razão?
Se eu fosse chorar toda a dor que me atormenta, meus olhos 
se tornariam em oceanos.


As pessoas, as coisas, as lembranças; tudo o que me fere
Tudo pedaços de mim.
eu que fui um riacho tranquilo, agora tornei-me um poço profundo
No qual minha sombra vaga inerte

É a inquietante face do que fui, perdido pra nunca mais me achar
Ferido pra nunca mais voltar.

J. Sollo




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