Soneto (SONETO DA BONANÇA)

Saudades vem como ondas graciosas e vão
Mas também são tenebrosas chagas no oceano
Refletindo nos olhos dos amantes ledo engano
Talvez os iluda na mentira que perfura o coração

Como barco sem leme, à deriva em negras águas
É assim que fico sem ti: marinheiro perdido
Pois deixaste-me a esperança desse amor consumido
E escoa meu viver nesse mar de imensas vagas

Mas quando regressa desfolha temores e seca meu pranto
Seu sorriso acende como se fora estrela inocente
Renova o coração sombrio, devolve-lhe o encanto

Assaz me arde o desejo, teu beijo fagueiro já sinto em mim
Espano a saudade, me abrigo em teu seio, macio tão quente
Sou como o vento ruidoso, amor tão zeloso renasce sem fim.
J. Sollo
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