ALUCINAÇÃO

Não sei se é o frio que me invade....
   E dói na alma congelando-me a razão
   mas desse mirante deserto não arredo
  São dias e noites perscrutando o horizonte
Meus olhos vão cansados, cessou-me a coragem
Partiu meu alento e mais que eu clamasse
Não ouviu nem sua própria  razão
Seus lábios diziam "vou-me agora"
Mas seu olhar moribundo queria ficar
  Saiba que te trago em meu sonhar
  Sonhos polutos, sem mea-culpa por te desejar
* Mas desse templo frio onde nada é real
   Meu cabelo em desalinho, diz que não sei mais de mim
Será que após essas tardes modorrentas
Nas quais mal sentia meu sangue a pulsar nas veias
E meu olhar injetado, vidrado mirando somente o nada
Saciar-me-ei das migalhas desse teu amor cão?
   E lanço-me  fora desse cemitério que me mantinha
   Encontro forças pra romper meus grilhões, sempre fui assim
   Não lamento o tempo perdido em que te acalentei a volta
   Tirada a borra a macular o sentido que busco com desespero
  
 Na hora que o amante tenta voltar aos braços de sua possuída
*Mas que infame angústia; não o deixa fitar seu espelho frio
  Alucinado depois que todos os castelos ruíram com estrondo
  Restaram os muros a limitar meu desejo de recomeçar.
J. Sollo
*templo frio= a cama onde deita o poeta e inutilmente devaneia
* seu espelho frio= ela não volta e ele não a pode olhar nos olhos
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