VENENO

Ninguém beberá do cálice que me apraz
Desse mortal veneno que corre agora por minhas veias
e consome e fenece tudo, sem conhecer antidoto ou balsamo

Nem sempre tudo foi assim, houve o tempo de quimeras, tempo que construí castelos, na torre mais alta te encerrei e te resgatei.

Morte cruel aguarda os que contudo mantém os olhos abertos e respira o hálito quente; é morto mas não se foi, e vive não sei de "quê".

E mais e mais taças vazias sobre a mesa do destino e cuja o final não se divisa, pois mata e finge brincar, te arrasta e acaricia. Lentamente transmuta tudo que foi belo, na sequidão abrasadora do deserto. 

Por entre as pupilas verdes se esvai o último fulgor, liberdade afinal! Ao deixar meu templo vazio, a inerte figura posso voltar os olhos para ti, sem mágoa, enfim liberto da Cripta, minha mente pode vagar pelo espaço infinito, se unir a estrela mais bela.

E beberei e me fartarei dessa luz, que não amei antes pois era mistério para mim, mas agora que te conheço, seguir-te-ei aonde fores, pois meu destino já é infinitamente cativo do teu.

J. Sollo
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