DOIS JANEIROS

             DOIS JANEIROS
Foi a última vez que te vi
Naquela tarde fria, também teu frio adeus
Caixas amontoadas num canto a esperar
Não me atrevia a abri-las, temia por mim
Pareciam punhais afiados, preferi
                              [não cravá-los desta vez
Muito tempo passou depois daquele dia
Muito cimento sepultando sonhos desfeitos
Cruzes a me lembrar tudo o que perdi
São dois anos que inutilmente tentei me juntar
Tentei recomeçar com o que restou de mim
Na escuridão dos meus dias temo a luz
Esqueço-me as vezes que eclipses são naturais
Mas sempre passam, não resistem ao poder da luz
E a centena de passos de mim mesmo
Me resta trilhar o  caminho da volta
Dias infindáveis que te imaginei cruzando essa porta
Mas sou apenas eu a lutar sozinho, somente meus ais ecoando
Passos a fugir do calabouço dessa solidão.
J. Sollo
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