VIDA



Saber que o momento seguinte é sempre melhor que o instante atual
E me decomponho em sons, como a gota frente a luz do sol, mas... Quem pode ver?

Sou meu verso rasgado, que pulsa de dor e não tem tradução

Só carvão, papel e eu, os três desafiando a madrugada, a se fundir nessa idéia abstrata de entender quem sou eu

Já vim em outras vidas, sem mesmo reencarnar, como pedra de giz que se expressa no próprio ser e abandona-se, deixa a impressão aonde for

Sou esse riso sacana, essa palavra aspirada que tua boca não diz, sou tudo em todos, sou imortal

Será que sou essa alma? E se é assim por que existe essa jaula, que impede o ser transcender?
Saber que amargo veneno é esse, que se toma dizendo que é pra curar a dor

Escrevo até que esvazio minha idéia que, no entanto renasce, e de novo escrevo, divago até sangrar minhas mãos.

Reflito a extrema loucura, de novo refém dessa amargura, que me faz mariposa, me atrai por essa luz

Amo a solidão como todo poeta, e amo ser poeta, pois ninguém me contém; não se aprisiona a água com as mãos

No entanto existo, e sou ser inconformado, sempre vagando, simples andarilho, sem rumo seguindo apenas o murmúrio do vento, a me dar a direção.

J. Sollo
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